Fifa obtém lucro recorde com Copa no Brasil

Publicado no Jornal do Brasil

Depois das críticas à organização do Mundial, entidade colhe dividendos com o evento

Quando a primeira versão consolidada da Matriz de Responsabilidades da Copa do Mundo foi divulgada, em 26 de abril de 2012, o investimento global previsto para estádios era de R$ 6,76 bilhões. Passou de R$ 7,03 bilhões em dezembro, para atingir o patamar de R$ 8 bilhões em setembro de 2013. Agora, chega aos R$ 9 bilhões.

Num país onde os hospitais não têm remédios, onde os alunos não têm professores, onde as estradas são péssimas, onde não há segurança, onde só os ricos podem entrar num estádio de futebol, a Fifa ganha fortuna às custas do povo.

Depois das críticas à organização do Mundial 2014, principalmente quanto ao andamento das obras, os dirigentes da Fifa, que declararam até que o Brasil “merecia um chute no traseiro”, foram beneficiadas, e muito, pelo evento no país. Relatório financeiro apresentado nesta sexta-feira (21), em Zurique, na Suíça, mostra que a Fifa está cada vez mais rica. E isso, graças à Copa do Mundo no Brasil.

Com uma entrada recorde de valores, a Fifa recebeu pouco mais de US$ 1,386 bilhão, sendo provenientes, em sua maioria, de direitos de TV (US$ 601 milhões) e marketing (US$ 404 milhões). As despesas do ano anterior foram de US$ 1,314 bilhão – sendo US$ 757 milhões para a realização de sete torneios de futebol e US$ 183 milhões para programas de desenvolvimento. Com isso, o lucro da entidade foi de US$ 72 milhões, aumentando suas reservas financeiras para US$ 1,432 bilhão.

Durante a reunião do Comitê Executivo da entidade, três assuntos polêmicos foram discutidos: o atraso das obras para a Copa do Mundo no Brasil, os problemas trabalhistas das construções para a Copa de 2022 no Catar e a reforma da própria Fifa. No caso do Brasil, a preocupação é pelo fato de faltarem 80 dias para o Mundial e o estádio de abertura da Copa, o Itaquerão, ainda não estar pronto. Mas, o secretário da Fifa, Jerome Valcke, desconversou sobre o tema, afirmando que “receberemos notícias positivas nos próximos dias”.

Sobre a polêmica no Catar, o presidente da entidade, Joseph Blatter, rebateu as acusações de descaso quanto à vida dos trabalhadores das obras para a Copa, dizendo que “a responsabilidade primária sobre isso pertence ao Catar e àqueles que controlam as questões de trabalho”. Porém, o dirigente afirmou que a Federação monitorará a situação à distância. Já sobre a polêmica de suborno para a escolha da sede, Blatter declarou apenas “que existe uma comissão de ética independente que está verificando o caso”. Ele ainda falou que “não fará nenhum comentário ou especulação com as investigações em curso”.

E as reformas prometidas na estrutura da Fifa não foram debatidas, pois Blatter afirma que “ainda há dúvidas sobre a questão de idade e mandatos de um presidente”. As mudanças deverão ser debatidas na próxima reunião, no dia 11 de junho, em São Paulo. Blatter ainda aproveitou para salientar que as obras para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia, estão dentro do cronograma e não há nenhum problema.

Com agência Ansa

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