As Ruas e a Copa

Fonte: Futebol-Arte (http://www.futebolarte.blog.br/convidados/as-ruas-e-a-copa/)

As Ruas e a Copa
*Por Giva

Bem, primeiro, eu gostaria de agradecer ao Ricardo por ter me convidado para colaborar com o seu Blog. Para mim, é uma honra poder falar em um espaço tão qualificado e colaborar com um projeto de uma pessoa por quem tenho muito apreço.

Segundo, que um canal como esse ajuda muito a abrir o diálogo com pessoas que talvez só tenham acesso aos meios de comunicação coorporativos e, portanto, com claro interesse comercial, o que de cara impede a imparcialidade, pois fazem negócio e não comunicação de fato,filtrando e manipulando as informações de acordo com os interesses econômicos envolvidos.

Feitas as considerações iniciais, queria começar essa conversa falando do ato do último dia 15, que ficou popularmente conhecido como 15M,organizado pelos Comitês Populares da Copa em todo Brasil e por outras organizações pelo mundo, que foi o dia mundial para denunciar os crimes de direitos humanos dos megaeventos, no caso a Copa do Mundo.

A proposta do 15M não era apenas denunciar as violações cometidas em nome do Mundial 2014, mas estavam em jogo 8 reivindicações concretas, que chamam o estado brasileiro a sua responsabilidade. Essas pautas podem ser encontradas no site do Comitê Popular da Copa de São Paulo: https://comitepopularsp.wordpress.com/2014/05/11/copa­sem­povo­to­na­rua­de­novo­manifesto15m/

Vou aqui fazer um recorte e falar da experiência de São Paulo.

Durante alguns meses, o Comitê Popular planejou o dia 15M como um protesto de caráter internacional, mas também popular. O grupo realizou diversas atividades nas (e com as) comunidades, entre as quais se destacam os “debates­bola” e a “copa rebelde”, participou de uma série de debates e procurou articular com diversos movimentos populares, sindicatos e partidos. A partir desse processo, o Comitê Popular da Copa se legitimou como articulação para dirigir o processo de lutas durante o período da copa do mundo, que já trouxe e ainda trará enormes violações ao povo brasileiro.
ProjecaoRuas
A dinâmica e intencionalidade dos atos de rua são determinadas, em grande parte, por sua estética. Pensando nisso, o Comitê construiu a manifestação do dia 15M com uma estética de diálogo e não de confronto, tendo em vista dialogar amplamente com a população. Nesse sentido, foram pensadas atividades de teatro, música, projeções com informações, escrachos populares, entre outras intervenções. E, para que ninguém tentasse roubar o protagonismo dos diversos grupos que construíram durante meses o ato, a comissão de frente foi composta de mulheres de diversas organizações ­ o que em nossa avaliação dificultaria a violência policial.

Ainda ficou combinado que diversos outros grupos se agregariam ao 15M, fazendo atividades descentralizadas com suas pautas específicas,associando­as a Copa. Este foi o caso “trancaços” realizados pelo MTST durante a manhã do dia 15 de maio, além de ações do sindicato dos metroviários e outras. Todas essas ações foram pacíficas e passaram o recado de que a copa violou o direito do povo e que o povo está disposto a se organizar e lutar por eles.

Apesar de todos os cuidados e conversas com o comando da PM, nada do que fizemos adiantou, já que para nós da organização do ato, ficou claro que havia uma decisão de não deixar sequer o ato sair. A PM usou qualquer argumento para provocar a reação do público.

Além do que, houve um novo componente: um número enorme de P2 (policiais infiltrados na manifestações) disfarçados de tudo quanto é tipo, e principalmente dos praticantes da tática Black Bloc. Existem muitos indícios disso: uma das pessoas que faziam segurança do ato tentou conversar com um dos supostos black blocs que tentavam provocar violência e a resposta foi “que ali eles eram anarquistas e anarquistas não constroem, mas desconstroem”; todos sabem que os anarquistas tem um alto grau de organização e que constroem muito, só temos sindicalismo hoje no Brasil pela ação organizativa deles, o que deixou essa pessoa que fazia a segurança de orelha em pé, para em seguida comprovar que esse “anarquista” era na verdade um P2 infiltrado, que provocava os demais para realizarem atos violentos contra a PM. No momento de dispersão do ato pela PM, quando todos corriam, esse “black block”, que queria destruir e não construir, tentou prender um manifestante e não conseguiu porque esse foi mais ágil e conseguiu fugir.

A outra questão que ficou ainda mais clara é a intenção do governo paulista por meio de seu braço armado de reprimir a todo e qualquer custo manifestações. Neste vídeo, podemos ver essa direção claramente – a PM tentou dispersar o ato sem ter absolutamente nada que justificasse sua ação:

Sem que ninguém esperasse, as balas e bombas passaram a atingir os manifestantes, que não entendiam e não sabiam o que fazer diante de tanta truculência.

Esse episódio, registrado por muitos e pouco divulgado, se junta a essa outra triste ação, que indignou à tod@s que a presenciaram, quando de forma ainda mais covarde, a PM atirou pelas costas em manifestantes, praticamente repetindo o que acontece nas periferias da cidade.

Ofereço esses elementos, para que tod@s possam analisar fatos e evidências concretas, para que possam entender o real sentido dessa Copa, que não terá povo e só atenderá aos interesses do capital e para isso, a estrutura repressiva e o dinheiro do estado será utilizado sem nenhum pudor para que a Copa possa ser realizada, sem nenhuma preocupação com as vidas que se foram e a violência em grande escala do estado, que poderá vir a acontecer.

Copa pra quem?

*Givanildo M. da Silva-­Giva, militante do Tribunal Popular, Comitê pela Desmilitarização da Policia e da Política e do Comitê Popular da Copa SP

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