Nota de Apoio à Luta Guarani de São Paulo

O Comitê Popular da Copa SP está na luta com nossas irmãs e irmãos da Comissão Guarani Yvrupa. Consideramos que a luta dos povos indígenas também é nossa, reivindicamos o direito à cidade para tod@s e com tod@s.

A força que despeja e mata na cidade é filha da força que despejou e ainda despeja e mata no campo. Ambas fazem parte de um modelo de “desenvolvimento” excludente, no qual o ser humano e a natureza são jogados para escanteio em detrimento da expansão das fronteiras do capital. Entendemos a importância de construir em conjunto com nossos companheiros e companheiras Guaranis, além de outros movimentos sociais, uma Frente Antiruralista para questionar e combater os mecanismos perversos de mercantilização das terras pelos latifundiários, construturas e grandes corporações do agronegócio.

A bancada ruralista não é só contra indígenas. Exemplo disso é o discurso racista e homofóbico proferido pelo deputado Luiz Carlos Heinze (PP-RS), da Frente Parlamentar da Agropecuária, que afirmou em público considerar índios, negros e homossexuais como “tudo que não presta”. É preciso que gritemos a plenos pulmões que esse tipo de discurso não será aceito!

Lembramos ainda que muitos integrantes da “bancada ruralista” também são da “bancada da bala”, grupo de deputados que defendem os interesses das empresas de armamentos. Os mesmos armamentos que os ruralistas usam para montar milícias com jagunços armados, e que, vendidos ao Estado, exterminam nossos jovens na periferia e reprimem as manifestações (estas últimas com suas variações “menos letais”).

Por isso, nos somamos nas barricadas, ombro a ombro com nossas companheiras e companheiros Guaranis, para combater esse discurso racista que incorpora o espírito genocida dos bandeirantes, assassinos de indígenas. Os ruralistas de hoje são os bandeirantes de ontem! Nem um passo atrás na luta contra o racismo! Nem um passo atrás na luta pela demarcação dos nossos Tekoas urbanos e rurais. Aguyjevete pra tod@s que lutam!

Comite Popular da Copa SP – 6 de junho de 2014

Abaixo o manifesto público divulgado pela Comissão Guarani Yvyrupa (CGY)

MANIFESTO ANTIRRURALISTA DA COMISSÃO GUARANI YVYRUPA (CGY)

Nós, indígenas guarani de todas as aldeias de São Paulo, realizamos hoje mais um ato pacífico em defesa das nossas terras e dos nossos direitos, contra o ataque daqueles governantes dos brancos que insistem em nos dizimar. Fechamos agora a Avenida Pedro Alvares Cabral, que homenageia o primeiro branco que invadiu as nossas terras, para protestar contra a bancada ruralista, reunida agora nesta Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, enquanto defendem o fim das demarcações de terra indígena através da PEC 215, num palanque de ódio contra nossos povos e vários outros excluídos desta sociedade brasileira.

Nossa expectativa é desmascarar a farsa dos ruralistas, e terminar pacificamente nosso ato novamente em frente ao Monumento às Bandeiras, que homenageia aqueles que nos massacraram no passado.

Os ruralistas de hoje são os bandeirantes de ontem, e por meio da caneta querem nos matar como nos mataram no passado com suas armas de fogo. Têm o espírito dos bandeirantes aqueles que usam de seu poder para enriquecer e concentrar terras, enquanto nós povos originários continuamos nas beiras de estrada, espoliados de nossos tekoa, e grandes massas de excluídos seguem sem ter onde dormir, sem ter onde morar, sem ter onde plantar.

Enquanto os brancos homenageiam em estátuas, ruas e rodovias aqueles que nos mataram, seus governantes continuam encarnando o espírito dos bandeirantes. Pedro Alvares Cabral foi o primeiro ruralista. Muitos o sucederam. Tem o espírito dos bandeirantes, o juiz Clécio Braschi que determinou a reintegração de posse contra mais de quinhentos dos nossos parentes que habitam a Terra Indígena Jaraguá, em sua maioria crianças. Tem o espírito dos bandeirantes o Ministro que obriga nossos parentes do Mato Preto, no Rio Grande do Sul, a diminuírem suas terras em mais de oitenta por cento e zomba da dor dos parentes Terena, que tiveram um guerreiro que tombou na luta, enquanto paralisa as demarcações pelo país.

Estamos felizes hoje de contar com o apoio de outros movimentos sociais que defendem os excluídos, pois isso nos permite saber que não são todos os brancos que carregam o espírito dos bandeirantes. São muitos os que percebem que só quando esse espírito ruim for derrotado, teremos a vitória dos de baixo, dos povos humildes.

Aguyjevete ao Movimento Passe Livre, que desde o ano passado tem nos lembrado que “os barões do campo, são os mesmos barões das catracas”, e mais uma vez se somam conosco. Aguyjevete ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra de São Paulo, que vem agora se somar, pois os mesmos latifundiários que nos massacram nas florestas e no Congresso, são os que os massacram cotidianamente no campo. Aguyjevete ao Comitê Popular da Copa de São Paulo, que vem junto pra escancarar a todos que essa é a Copa dos Ruralistas, aliados de primeira hora das empreiteiras e mineradoras que enriquecem junto com a Fifa.

Com esse ato, chamamos a todos os de baixo, do campo ou da cidade, a todos os excluídos, para se juntarem em torno de uma Frente Antirruralista na luta para expurgar dessas terras o espírito dos bandeirantes, que comanda essa ilha desde a invasão de Cabral. Vamos mostrar que terra é pra todos que vivem dela!

No momento, reivindicamos:

– O imediato arquivamento da PEC 215, e de todas as medidas anti-indígenas que tramitam no Congresso dos ruralistas.

– O imediato arquivamento da Medida Provisória nº 636, a MP da Reforma Agrária, e de todas as propostas do Congresso dos ruralistas que criminalizam e enfraquecem aqueles que lutam pela reforma agrária e por justiça no campo e na cidade.

– A assinatura, pelo Ministro da Justiça, das portarias declaratórias das TIs Tenondé Porã e Jaraguá.

– A revogação ou desistência de todas medidas do Governo Federal que visam a paralização das demarcações de terra no país, em especial a Portaria 303/AGU e a Minuta de Portaria do Ministério da Justiça.

– A suspensão pelo Tribunal Regional Federal, da sentença de reintegração de posse emitida contra nossos parentes da Terra Indígena Jaraguá.

Mais informações: http://campanhaguaranisp.yvyrupa.org.br/?p=388

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