NOTA DE SOLIDARIEDADE AOS METROVIÁRIOS

O Comitê Popular da Copa há mais de três anos articula em rede um conjunto de organizações que trabalham para escancarar as violações promovidas não só pela Copa do Mundo, mas por todos os outros megaeventos. Durante esse tempo, pautamos o direito à cidade, à moradia, além do direito ao trabalho digno, seja ele formal ou informal.

Compreendemos que as mais diversas violações de direitos como os despejos, as remoções, a exploração sexual, a criminalização dos/as ambulantes e a precarização do trabalho não se iniciaram com a preparação da Copa do Mundo nem terminarão com ela. Todas elas são parte de um processo próprio do sistema capitalista. Porem, é importante ressaltar o papel desse megaevento no aumento das violações e que esse é o tipo de cidade Padrão FIFA trazido pela Copa do Mundo.

Não é por acaso que às vésperas da estreia do megaevento, o Tribunal Regional do Trabalho considerou ilegal a greve dos/as metroviários/as, numa atitude autoritária e retrógrada que parece desconhecer um dos princiais direitos trabalhistas: o direito à greve, conquistado com muito suor e luta dos trabalhadores e trabalhadoras durante a história. Por fim, como uma cereja podre do bolo, o governador Geraldo Alckmin foi intransigente nas negociações com o sindicato e é o principal responsável pela demissão de 42 grevistas do metrô. Vale ressaltar que os/as
metroviários/as se disponibilizaram a trabalhar com as catracas liberadas ao invés de paralisar as atividades, mas o Metrô e o governo do Estado não aceitaram essa proposta, tensionando para o início da greve.

Entendemos esse fato como parte de um processo de crimininalização das lutas sociais que, além da negação do direito de lutar por melhores condições de trabalho, inclui diversas práticas ilegais, como: um inquérito no DEIC responsável pelo interrogatório de mais de 300 ativistas, uma polícia cada vez mais armada e violenta, prisões para averiguação, grampos telefônicos, policiais infiltrados em movimentos sociais, mandados de busca e apreensão e pedidos de prisão preventiva.

Após cinco dias de greve, numa das maiores mobilizações dos últimos anos dessa categoria, o governo do estado de Geraldo Alckmin deu o recado sobre a forma que considera ser a mais apropriada para dialogar com os movimentos: o discurso da violência, da truculência, das bombas de gás, do spray de pimenta, do cacetete e da prisão. Isso mostra mais uma vez que violento é o Estado e seu braço armado!

Desse modo, prestamos solidariedade aos/as grevistas e declaramos estar lado a lado com as pessoas que estão abaixo e a esquerda na luta contra as violações sociais e por melhores condições de trabalho.
Força pra quem luta!

Comitê Popular da Copa – SP, 11 de Junho de 2014

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