Cidade pra quem? Nota sobre reintegração de posse ilegal em zona de exceção em SP

O recado dado pela GCM e pela PM é o de que toda e qualquer ação política no entorno das áreas de exceção da FIFA são proibidas e serão duramente reprimidas. Esse fato mostra mais uma vez como o padrão FIFA de cidade é o das remoções, do recrudescimento da violência do estado e de todas as outras violações sociais trazidas pelo megaevento. A partir disso, perguntamos mais uma vez: Copa Pra Quem? Cidade Pra Quem?

O Comitê Popular da Copa presta solidariedade à ocupação TM13, vítima de uma ação violenta da Guarda Civil Metropolitana na madrugada desta quarta-feira (18/06).

Aproximadamente 5 horas da manhã, a ocupação localizada no Anhangabaú, embaixo do viaduto do Chá, foi vítima de uma truculenta e  ilegal reintegração de posse. Sem ordem de despejo, cerca de 50 integrantes da IOPE (Inspetoria de Operações Especiais) da GCM quebraram o cadeado do portão e invadiram o espaço. Como de praxe, todos os GCMs que participaram da ação estavam sem identificação.

A ocupação, realizada no dia 2 de maio, reunia num espaço publico abandonado grupos culturais, incluindo artesãos e músicos, além de militantes anarquistas e autônomos/as e pessoas em situação de rua.


De acordo com um morador que não quis se identificar, a GCM enfiou um revólver na boca de um rapaz que fazia a segurança em frente à ocupação e já chegaram agredindo as pessoas que lá estavam. “Eles arrombaram o portão e se dirigiram ao dormitório, quebrando barracas, pertences e retirando pessoas na base da agressão”.

Segundo uma das integrantes do local que também preferiu não se identificar, as pessoas foram surpreendidas com a presença da GCM. “Eu estava dormindo. Arrombaram minha barraca e já foram me puxando pelos cabelos e pelas roupas. Num primeiro momento, fui conduzida por 2 guardas de forma truculenta, tendo meu braço retorcido pra trás. Em seguida, vieram mais dois que bateram na minha cabeça e gritavam para eu olhar pra baixo. Tentei argumentar que não era preciso essa violência, que iríamos sair, mas eles continuaram nos agredindo”, disse.

Essa mesma garota descreveu com bastante revolta uma cena que viu em seguida: “Duas pessoas nuas foram retiradas à força do local e foram obrigadas a sentar no chão do Anhangabaú, na frente de todo mundo. Uma delas era mulher, que foi conduzida por dois guardas homens”.

Depois que todos/as estavam imobilizados/as, os guardas levaram um morador para um canto, o que desencadeou uma gritaria em questionamento a essa ação. De repente, a GCM passou a agredir mais ainda a todos/as com cacetetes e spray de pimenta.

Dentre as pessoas feridas, estava um rapaz  com o rosto inchado e um homem que tinha marcas de cacetetes nas costas e no peito. Uma criança de 12 anos também foi vítima de agressão. “Fui acordado com uma pessoa chutando a minha barraca e obrigando a gente sair. Me arrastaram pelos braços pra fora, junto com meu irmão”, afirmou o menino bastante inconformado com a situação.

Uma mulher com pontos nos seios, vítima de uma operação recente realizada por causa de um câncer de mama, foi retirada com brutalidade da ocupação.

Há também relatos de que uma criança com aproximadamente 3 anos foi jogada para fora pelo braço.

A partir das 10 horas da manhã, começaram a chegar PMs que filmavam os/as manifestantes com o objetivo de intimidá-los/as, bem como dois policiais à paisana, descobertos pelos/as manifestantes e logo protegidos pela GCM.

Também esteve presente Guilherme Varella, representante da secretaria de cultura que compareceu no local para ver como tinha sido a desocupação, mas sua presença foi rechaçada com vaias e gritos.

O argumento apresentado pela GCM aos/as moradores/as é de que aquele espaço tem de ser desocupado, já que a prefeitura concedeu seu uso à uma produtora que fornece material para a HBO e Warner Bros.

As pessoas se mantêm até agora em frente ao local e fazem um chamado para todos/as comparecerem às 17h para um ato-denúncia no Anhangabaú. Há também um pedido para que as pessoas levem água e comida.

Por ironia do destino ou não, enquanto as pessoas despejadas se reuniam em frente ao local (algumas delas feridas) para protestar, a poucos metros dali tinha início a FIFA Fan Fest. É impossível não compreender a relação desse despejo truculento com a realização da Copa do Mundo e a elitização da cidade.

O recado dado pela GCM e pela PM é o de que toda e qualquer ação política no entorno das áreas de exceção da FIFA são proibidas e serão duramente reprimidas. Esse fato mostra mais uma vez como o padrão FIFA de cidade é o das remoções, do recrudescimento da violência do estado e de todas as outras violações sociais trazidas pelo megaevento. A partir disso, perguntamos mais uma vez: Copa Pra Quem? Cidade Pra Quem?

Nem um passo atrás na luta contra os despejos! Nem um passo atrás na luta contra as violações promovidas pelo Estado e pela FIFA.

Força pra quem luta!

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