Justiça acaba com ocupação na Pamplona

FONTE: Spressosp

Cerca de 70 famílias deixaram o prédio – ocioso há 5 anos – neste domingo (17) depois de uma operação de reintegração de posse da Polícia Militar
Por Ivan Longo

Mais uma vez, em São Paulo, os interesses da especulação imobiliária venceram os dos movimentos sociais e expulsaram, neste domingo (17), cerca de 70 famílias que estavam vivendo em um prédio na rua Pamplona, a duas quadras da avenida Paulista.

O edifício localizado no número 935 pertence à família Gravina, de Araraquara, que é detentora de uma série de outros empreendimentos por todo estado. Ele estava abandonado há cerca de 5 anos sem cumprir qualquer tipo de função social e, por isso, foi ocupado pelo MMRC (Movimento de Moradia da Região do Centro) no último dia 12 de junho.

Os donos do prédio, no entanto, que há anos não faziam nada no local, resolveram agora abrir uma gráfica, justamente no momento em que a ocupação já estava consolidada e articulando ações com moradores do próprio bairro.

Cumprindo determinação da Justiça paulista, então, a Polícia Militar foi ao local na manhã deste domingo (17) e efetivou a expulsão das famílias, que deixaram o local sem confrontos com os policiais.

Dar vida ao local

Na semana em que começou a ocupação, a reportagem do SPressoSP esteve no local. Por estar em uma região nobre da cidade, onde o metro quadrado de um apartamento chega a custar mais de R$10 mil, moradores dos entornos demonstraram preconceito com a ideia de conviver próximo a um prédio ocupado. “À princípio não me incomoda. Fiquei sabendo disso hoje porque eu estava morando fora, nos Estados Unidos. Acho errado, mas não me afeta diretamente. Só fico com medo de começar a ter assaltos, essas coisas”, afirmou, na ocasião, uma mulher vizinha ao edifício.

Entre os objetivos da ocupação, no entanto, não estavam conflitos com os vizinhos. Pelo contrário. De acordo com o MMRC, a ideia era estabelecer um diálogo entre as famílias sem-teto e os próprios moradores e trabalhadores região através de uma ocupação artística, com foco em moradia mas também em cultura.

“Queremos que as pessoas sintam-se, aqui, em uma extensão de suas casas”, afirmou Andy Marchal, um dos integrantes do movimento.

Guilherme Landi, coordenador da ocupação, disse na época acreditar ser “uma oportunidade de darmos vida a algo que, até então, estava morto”.

“O objetivo principal é a moradia, mas queremos ir além desse conceito de moradia simplesmente como dormitório. Promoveremos um cineclube, uma biblioteca, oficinas de artes, pintura, desenho, aulas de idiomas”, afirmou.

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