nossas pautas

#COPAPARAQUEM?

Quando os Comitês Populares da Copa começaram a questionar o autoritarismo, a ganância e o desprezo pelos direitos humanos que envolve a realização da Copa do Mundo (FIFA), já há mais de três anos, parecíamos pessimistas que queriam tirar a alegria do povo no “país do futebol”.  Hoje, iniciando 2014, ninguém mais acredita que a Copa trará qualquer legado para a população além de despejos, violação dos direitos dos trabalhadores, uma legislação de exceção, uma cidade privatizada e orientada aos interesses das grandes empresas e corporações e, sobretudo, violentas ações de repressão do Estado.

Nem os governos acreditam que a Copa é de tod@s. Por isso, têm investido na criação de batalhões especiais, decretos e leis que nos fazem relembrar os piores tempos de autoritarismo e em uma propagando barata que ataca qualquer opinião dissidente e tenta criar um clima artificial de celebração do mundial que obviamente já não cola.

A expressão do medo e do autoritarismo do Governo brasileiro silencia as reivindicações legítimas dos brasileiros que vão às ruas protestar e sem dúvidas intensificam o conflito. O ano começou com um recado claro à população, principalmente a juventude de periferia: quem der rolezinhos na Copa ou no shopping vai levar bombas, cacetadas e tiros (torça para serem de borracha) e ainda no final ainda serão chamados de bandidos conservadores.

O último dia 25 de janeiro foi uma mostra clara do absurdo a que chegamos: 135 pessoas apreendidas, espancamentos, atropelamento de uma jovem na calçada e um jovem baleado com 3 tiros. Quem é responsável por esses tiros? Quem acredita na versão “protetora” ou “defensiva” de uma polícia militarizada depois de tantos Amarildos?

A diversidade do perfil das pessoas detidas no dia 25/01 em São Paulo revela que quem está insatisfeito com a Copa não é uma “direita reacionária” como alguns querem fazer parecer. A questão é mais complexa e exige um debate ampliado sobre a realização desse megaevento e todas as questões que suscita. Afinal, se nos negamos a discutir e dizemos que protesto é sempre caso de polícia de que esquerda fazemos parte?

É necessário politizar a questão. Se as ruas dizem #nãovaitercopa é porque os governos tem se recusado a responder à pergunta #copaparaquem? senão com agressões e violações.

Os Comitês Populares da Copa não representam toda a indignação das ruas e não somos responsáveis por todos os atos contra a Copa (ainda bem que há tanta diversidade), as pautas coletivas que construímos junto aos movimentos sociais, comunidades ameaçadas e à população atingida são claras, populares e materiais:

  •  A desmilitarização da polícia e fim da repressão ao movimentos sociais, com a garantia do direito constitucional de manifestação nas ruas;

  • O fim das remoções e despejos, com abertura imediata de negociação coletiva com os moradores atingidos, visando a realocação “chave-a-chave” e reparação às familias já removidas;

  • O fim da violência estatal e higienização das ruas do centro contra a população em situação de rua, com garantia a políticas de acesso à alimentação, abrigo e higiene pessoal, como trabalho e assistencia social;

  • Fim da exploração sexual de mulheres e crianças, com garantias de políticas públicas de proteção e prevenção do turismo sexual;
  • Fim da perseguição ao trabalho ambulante, garantida a atividade antes, durante e depois da copa, com o mesmo espaço dado às empresas patrocinadoras;
  • Revogação imediata das áreas exclusivas da FIFA previstas na Lei Geral da Copa, bem como dos tribunais de exceção a serem instalados no entorno dos estádios, garantido o direito à ampla defesa e ao devido processo legal antes, durante e depois da copa;
  • Arquivamento imediato dos PLs que tramitam no congresso visando tipificar o crime de terrorismo, que ameaça o direito à manifestação e criminaliza movimentos sociais;
  • Revogação da lei que concede isenção fiscal à FIFA e suas parceiras comerciais, e auditoria popular da divida publica nos três níveis de governo, de modo a investigar e tornar públicas as informações sobre os investimentos com megaeventos e megaprojetos, para reverter o legado de divida da copa da FIFA;
  • Fim da elitização dos estádios, do encarecimento dos ingressos, da destruição da cultura torcedora e da transformação do futebol em negócio.

Uma resposta para “nossas pautas

  1. Pingback: Conheça as pautas do Comitê Popular da Copa, de São Paulo | Destilaria da Bola·

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