“Foi uma violência desmedida e desnecessária”

Fonte: Spressosp (http://www.spressosp.com.br/2014/05/16/foi-uma-violencia-desmedida-e-desnecessaria/)

“Foi uma violência desmedida e desnecessária”

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Foto: Caio Yuzo / Guerrilha GRR

Protesto termina após intervenção da Polícia Militar. Para advogado, a ação foi premeditada. “Eles agiram no meio do ato e nos dividiram. Queriam acabar com o ato”

Por Igor Carvalho

A manifestação contra o Mundial da Fifa, que integrava o “Dia internacional de luta contra a Copa”, em São Paulo, durou apenas 20 minutos. Quando os manifestantes desciam a rua da Consolação foram alvo da violência policial.

No cruzamento da rua Matias Aires com a rua da Consolação, exatamente no momento em que os manifestantes começaram a gritar: “Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar”, ouviram-se as primeiras bombas e tiros.

O ato foi dividido ao meio, a primeira metade desceu a Consolação correndo e a segunda parte retornou para a Praça dos Ciclistas. Os que ficaram se tornaram alvo para os policiais que atiravam balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio. A reportagem do SPressoSP encontrou cinco pessoas feridas, sendo atendidas no meio da rua.

Entre os feridos, estava o padre Julio Lancellotti. “Foi impressionante o que vi, os policiais estão atacando as pessoas como se a vida nada valesse, eles atiram.” O defensor público Carlos Weiss também estava indignado com a postura policial. “Foi uma violência desmedida e desnecessária. O que vimos aqui hoje foi o cerceamento do direito de se manifestar.”
Justamente o direito de se manifestar era a principal reivindicação do ato. Horas antes da manifestação, em entrevista ao SPressoSP, Juliana Machado, coordenadora do Comitê Popular da Copa demonstrava preocupação com o andamento do protesto.

“A gente defende que a liberdade de manifestação seja garantida. Se há, de fato, uma democracia nesse país, temos que ter direito de nos manifestar. Enquanto manifestante for tratado como terrorista ou criminoso fica complicado falar de democracia”, afirmou Juliana.
Um dos advogados do movimento, que preferiu não se identificar, afirmou que a ação da Polícia Militar foi premeditada. “Eles agiram no meio do ato e nos dividiram. Queriam acabar com a manifestação. A estratégia foi essa, não deixar que a manifestação andasse.”

Patrícia Rodsenko estava entre os feridos. A mulher seguia para sua casa, em Itaquera, quando foi atingida por estilhaços de bombas atiradas pela PM que provocaram um corte em seu rosto, uma poça de sangue no local indicava que o corte foi profundo. Ela foi atendida em um hotel na Consolação de onde foi encaminhada para o Hospital das Clínicas.

Com o movimento disperso, manifestantes montaram barricadas ateando fogo em sacos de lixo. Algumas pessoas quebraram as vidraças de uma agência do banco Santander e atingiram, também, a concessionária da Hyundai – patrocinadora da Copa do Mundo 2014, ambas na rua da Consolação.

Se acontecesse, o protesto seguiria até o estádio do Pacaembu. Diversas intervenções estavam preparadas para a manifestação, como apresentações teatrais e musicais, inclusive um ato simbólico lembrando o 66º aniversário da Nakba, data que marca a catástrofe da Palestina.

Vinte pessoas foram detidas na rua Augusta, meia hora antes do ato. Treze foram liberadas e sete ainda estão presas no 78 DP, nos Jardins. Segundo a PM, eles portavam coquetéis molotov.

Até o fechamento desta matéria, a PM ainda não havia se manifestado sobre os conflitos da noite desta quinta-feira (15). Segundo o comando da operação, 1,2 mil pessoas participaram do ato. Os organizadores do protesto estimam que era 7 mil.

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